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Depoimento

Daniel Azulay *
 

O Cruzeiro fez parte da minha infância e até hoje coleciono revistas antigas por ter começado a aprender a ler olhando as figuras. Eu já era alucinado por desenhos. Com seis para sete anos já conhecia o Amigo da Onça, os desenhos do Millôr, do Carlos Estevão, do Appe e desse grande injustiçado, esquecido muitas vezes que foi o Alceu Penna, um traço tão elegante quanto as Garotas que ele inventou e marcaram época. Nasci em maio de 1947, portanto dos anos 50 e 60 foi que eu descobri um imenso Brasil, tragicômico, macunaímico, místico e heróico nas matérias dos pracinhas da FEB nas páginas da revista O Cruzeiro.

Até hoje não esqueço matérias de David Nasser como o O Coice do Pangaré sobre Brizola, as reportagens de discos-voadores, outras sobre milagres, faquires e mágicos como o Kalanag na piscina do Copa, o incêndio do Gran Circo Norte-Americano em Niterói e o soutien da Jayne Mansfield que rasgou por acaso e mostrou tudo o que a gente mais queria ver, numa época em que as pessoas eram de verdade, de carne e osso sem silicone.

Foi com emoção que comecei a trabalhar lá na Rua do Livramento, escrevendo e desenhando na revista A Cigarra editada por Herberto Salles e Mário de Morais, depois na Seção de Humor de O Cruzeiro, chamada O Centavo editada pelo Ziraldo e Fortuna que mais tarde editou o Manequinho nas páginas do Correio da Manhã em plena época da ditadura.

Um abraço e algodão doce para todos aí do site que dá vida às páginas d O Cruzeiro que foi um marco na imprensa e história do nosso país.

* Daniel Azulay, 56, desenhista, bacharel em Direito, criador da Turma do Lambe-Lambe.
Escreveu este texto para a edição comemorativa on line dos 75 anos da revista O Cruzeiro.

O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva