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Lembranças dos leitores e de quem trabalhou em O Cruzeiro

 

Prezados amigos,

Completarei 74 anos no próximo dia 13 de novembro e tenho boas lembranças da revista "O Cruzeiro" em minha juventude. Gostava muito das reportagens do David Nasser e das fotografias do Jean Manzon, do Pif-Paf e do amigo da onça, do saudoso Péricles. Uma das reportagens que mais me marcou foi aquela em que o deputado federal Barreto Pinto foi fotografado de paletó de "smoking" e cuecas, o que lhe custou a perda do mandato, por falta de decoro parlamentar. Hoje em dia eles fazem as maiores bandalheiras no desempenho de seus mandatos e nada lhes acontece.

Atenciosamente,

Ary Oriel Almada - Leblon - Rio de Janeiro

 

Tenho bem mais do que 40 anos, só que meu aniversário é no dia 06/11 e as recordações trazidas foram muito vívidas. As séries de reportagens que mais marcaram foram as sobre a morte de Aída Curi e o crime da "Fera da Penha" além, lógico, de muitas outras, como as sobre Brasília.

Foi grande a idéia de trazer "O Cruzeiro" para as novas gerações, parece que as revistas de hoje são todas feitas na mesma gráfica, até as capas (constantemente) são parecidas.

SUCESSO!!!

Hope

 

Amigos de Memória Viva,

Vocês não imaginam o bem que irão me proporcionar com a publicação on line da revista O Cruzeiro!
Creio que a "galera" dos anos 50 irá vibrar com esse evento!

Há muito que eu procurava uma maneira de voltar a ler o mais importante periódico brasileiro de todos os tempos - a revista O Cruzeiro e, finalmente, chegou o momento! Não sei como agradecer aos empreendedores dessa façanha!

Só gostaria que, se possível, tão boa nova fosse divulgada por um meio de comunicação de grande penetração na nossa sociedade.

Vocês, amigos, não têm a dimensão do benefício que essa publicação trará a muita gente!

Por favor, não parem no meio do caminho, sigam em frente com esse empreendimento notável!

Odilon Rocha - Natal – RN

 

Caros da Memória Viva,

Excelente, bravo, audacioso e importantíssimo o ímpeto de Memória Viva em trazer aos brasileiros a versão digital da revista O Cruzeiro. Parabenizo-os pela iniciativa que é ainda mais luminosa nestes tempos sombrios de massificação e controle da informação: o fato de podermos ler a principal publicação de massa em momentos cruciais do Brasil (justamente o período de circulação da revista) possibilita-nos o desenvolvimento de uma leitura crítica das publicações de massa de hoje.

Que a Memória Viva continue nesta batalha - afinal, há um pouco de luta nisto tudo, não?

Fabio Guimarães Rolim - Piracicaba - São Paulo

 

Caros amigos,

Fiquei muito feliz com o reencontro com a revista O Cruzeiro, que me acompanhou durante boa arte da minha infância.

Adorava ver as falcatruas do Amigo da Onça e somente através de uma iniciativa igual a essa posso lembrar de tantas coisas que ficaram enterradas no passado.

Um abraço.

Elizeu F. Oliveira

 

É a primeira vez que vejo o Memória Viva. Vi o link no Blog da Aurea Gouvea e, quando ela falou sobre as edições de O Cruzeiro, me senti premiada nesta manhã cinzenta. Fantástico! Você parece muito jovem. Não pode sequer imaginar o que é para pessoas de minha geração ver O Cruzeiro, a revista dos adultos da minha infância, quase o único contato visual com o resto do mundo e de Brasil, para quem morava numa cidadezinha do interior. É tudo que eu queria ver hoje, além, é claro, de um saco de dólares na minha porta.

Parabéns! Mil vezes parabéns! Um abraço.

Teruska

 

Tenho 56 anos e nasci e passei minha infância e adolescência numa cidadezinha no interior de São Paulo.

Lembro-me da revista em minha casa, mas não me pergunte onde meu pai comprava pois não havia livraria e muito menos banca de jornal. O jornal chegava somente pelo correio através de caixa postal. Meu pai era japonês e mal sabia falar o português mas gostava de estar informado. Não me lembro a época mas uma imagem que sempre ficou em minha mente foi a foto de Carmen Miranda morta, em seu caixão, e os comentários de minha mãe as vizinhas sobre a sua maquiagem...

Minha vida mudou muito de lá para cá que nem sei mais quando isso aconteceu, mas quando me lembro de O Cruzeiro lembro-me desse fato.

Jacira Satiko Kaneto Oliverio

 

Olá!!!!

Louvo a iniciativa da criação dessa fonte de informação, que é tão nossa - vibrei com as capas e matérias do "O Cruzeiro".

Parabéns à equipe pelo trabalho de coleta, construção e disseminação da nossa memória.

Terezinha

 
Trabalhei na revista O Cruzeiro de l955 a 1975. Foi muito bom ter trabalhado nessa empresa e tenho muito orgulho disso. Estou absolutamente certo de que O Cruzeiro foi, nos anos 50, 60 e 70,na imprensa, o que a Rádio Nacional foi no mesmo tempo, no rádio, e o que é hoje a Globo, na televisão. Todos os grandes nomes de repórteres, fotógrafos, redatores, cartunistas etc. estavam lá. E deles, muitos estão ainda em atividade nos jornais, revistas e TVs. Não cito nomes porque certamente não lembraria de todos, tantos eram eles, e faria injustiça aos que não me lembrasse.

Por orgulho ou por vaidade não posso deixar de dizer que significou muito p'ra mim ter trabalhado no mesmo tempo em que lá estiveram nomes como Rachel de Queiroz, Herberto Salles, Lêdo Ivo, Marques Rebelo, José Cândido de Carvalho, Mário de Moraes, Ziraldo, Millôr Fernandes, Alceu Penna, Appe, Borjalo, Carlos Estevão, Péricles, Luiz Carlos Barreto, Indalécio Wanderley, Ubiratan de Lemos, David Nasser, Jean Manzon, Glaucio Gil, Accioly Neto, Eugênio Silva, Arlindo Silva e tantos outros...

Trabalhei no Depto. de Publicidade, sob as ordens de Helio Lo Bianco e João Serpa.

Tenho lembranças de alguns fatos que falam por si da força de O Cruzeiro naquele tempo: o laboratório era transferido para o Teatro Municipal, na segunda feira de Carnaval, pra que a foto da fantasia premiada com o primeiro lugar no desfile de fantasias do Baile de Gala da Municipal pudesse ser publicada já na terça-feira na capa de O Cruzeiro. O mesmo acontecia com o concurso de Miss Brasil, quando o mesmo esquema era montado no Maracanazinho. Isso quando o Baile de Gala do Municipal era o ponto alto do Carnaval carioca, antes que o Desfile das Escolas de Samba tomassem esse lugar. E o concurso Miss Brasil também era um grande acontecimento.

Nunca esquecerei, também, do dia em que a seleção brasileira de futebol voltou ao País, depois de se sagrar Campeã do Mundo pela primeira vez, em 1958, e quando desfilava triunfalmente do Galeão para o Palácio do Catete, onde era aguardada pelo Presidente Juscelino, o cortejo teve o seu trajeto desviado para passar na sede de O Cruzeiro, em cujos salões imponentes, na rua do Livramento, foi preparada uma recepção para a qual foram convidados parentes dos jogadores, as últimas misses Brasil (Adalgisa Colombo e Terezinha Morango entre outras) a Turma da Velha Guarda do saudoso Pixinguinha, tudo sob o comando do Velho Capitão, Assis Chateaubriand, que deu uma gozada no Presidente JK quando este ligou do Catete para reclamar do desvio no percurso da seleção. Chatô disse para JK: Presidente, CRUZEIRO 1x 0 CATETE.

As coberturas de O Cruzeiro das mortes de Carmen Miranda e Francisco Alves foram memoráveis, alcançando tiragens até hoje não igualadas, guardadas as proporções e considerando que essas tiragens se esgotaram exclusivamente por venda em bancas de jornais.

Não haveria tempo suficiente para relembrar de tanta coisa e de tanta gente que fizeram a história dessa revista que fez parte do dia-a-dia das famílias brasileiras durante 40 anos.

Francisco Caruso

Olá. Minhas lembranças de "O Cruzeiro" são lembranças dos anos cinquenta, quando fui adolescente.

O irmão mais velho de minha mãe era jornalista, e na casa dele, uma relíquia colonial em ruínas, tinha sempre a revista. Essa casa, muito grande, tinha uma pequena sala de visitas, como era costume naquela época. Nessa sala tinha uns móveis estufados, me lembro que eram de veludo estampado, muito gasto, como tudo o mais. Tinha também umn piano lindo, com o teclado completo, mas que, oh grande decepção infantil, tocava apenas uma nota. Ao lado do sofá tinha uma mesa com revistas e jornais. tinha sempre o cruzeiro. Lembro-me de ler "O amigo da Onça", "As garotas do Alceu", o "Pif-Paf". As reportagens que me marcaram foram da morte do Francisco Alves e da Carmen Miranda.

Do Chico não lembro os detalhes, mas da Carmen me lembro que tinha muitas fotos dela no caixão, maquiada, e morta maquiado nessa época era o inusitado. Teve também a coroação da rainha Elizabeth.

No ano de 1954, procurei avidamente por reportagens com a deusa Ava Gardner, que esteve no Brasilfazendo a publicidade do filme de Mankiewicz, "A Condessa Descalça", que ela estrelou. A passagem de Ava Gardner pelo Rio de Janeiro foi uma passagem tumultuada, ela reclamou das "mãos-bobas" no Galeão, e depois, Ava aprontou no Hotel Glória, onde, segundo a revista e os jornais da época, ela teria quebrado os móveis do quarto em que estava hospedada. Em sua biografia autorizada "Minha história" de 1990, Ava Gardner (1922-1990) conta que ela não quebrou hotel nenhum, que foi "coisa" pela direção para justificar sua preferência pelo Copacabana Palace.

Taí algo que eu gostaria de rever no "Memória Viva": a vinda de Ava Gardner ao Brasil.

Com certeza, a casa do meu tio e a bela Ava marcaram meus anos dourados aqui no "interior" do país.

Depois, nos anos sessenta, cresci, fui trabalhar, e a "Realidade" foi outra....

M. Pereira

Ainda moleca, no início da década de 80, lembro de ter picotado e feito colagens com revistas velhas que pairavam sobre a mesa onde meu pai, metalúrgico, ensinava-me o que era perspectiva e como pegar firme no lápis para desenhar peças automobilísticas. Eram edições antigas da Revista "O Cruzeiro". Posso dizer que não lembrava disso há duas décadas e ao abrir o Memória Viva - em busca de um pouco da vida de Zila Mamede e de Nísia Floresta, descarreguei a alma das lágrimas saudosas que estavam abafadas há muito. Meu pai já se foi, mas o Memória Viva ressuscitou "O Cruzeiro" e resgatou a doce lembrança do homem que mais me amou, uma lembrança alegre encarcerada no coração casto daquela criança que também já se foi...

Abraço,

Meire Gomes – Natal – RN

O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva